Quando o vôlei se transforma em caminho: a história do Projeto Pró-Vôlei em Júlio de Castilhos
- Rosaura Bastos Bellinaso

- 29 de jul.
- 4 min de leitura
Criado em 2009 por Cesar Augusto Alcântara, o projeto já recebeu aproximadamente 300 participantes e voltou às atividades em março de 2026, mantendo o propósito de oferecer esporte, inclusão e novas perspectivas gratuitamente.
Três meninas de Júlio de Castilhos entraram recentemente em uma quadra diferente. Elas participaram de um treinamento na Associação Voleibol Futuro, a AVF, em Santa Maria, projeto reconhecido pela formação de atletas na modalidade.
Para quem observa apenas de fora, pode parecer somente mais um dia de treino. Para quem conhece a caminhada do Projeto Pró-Vôlei/Esporte e Cidadania, no entanto, momentos como esse carregam anos de trabalho, persistência e sonhos construídos ponto a ponto.
O projeto foi criado em 2009 por César Augusto Alcântara com o objetivo de resgatar a prática do voleibol em Júlio de Castilhos e utilizar o esporte como instrumento de inclusão social. Durante sua trajetória, aproximadamente 300 crianças, adolescentes e adultos já passaram pelas atividades.
Depois de uma pausa durante a pandemia e de um período dedicado a outros trabalhos, Cesar retomou o projeto em março de 2026. A essência, porém, continua a mesma: fazer com que pessoas de diferentes bairros da cidade tenham acesso gratuito a um esporte que, no Brasil, é referência na formação de atletas, na educação e no lazer.
“O sonho era resgatar o voleibol em Júlio de Castilhos”
Mídia RAIZ: O Projeto Pró-Vôlei/Esporte e Cidadania nasceu de qual sonho? Em que momento você percebeu que queria criar esse trabalho em Júlio de Castilhos?
Cesar Augusto Alcântara: O Projeto Pró-Vôlei/Esporte e Cidadania nasceu do sonho de resgatar a prática do voleibol em Júlio de Castilhos e promover a inclusão social por meio do esporte. A ideia era proporcionar às crianças, aos jovens e também aos adultos dos bairros da nossa cidade a oportunidade de vivenciar gratuitamente um esporte que é referência em educação, formação de atletas e lazer em nosso país.
Iniciamos em 2009, e o projeto se prolongou durante 12 anos, com uma pausa durante a pandemia. Depois de uma nova interrupção, para que eu pudesse desenvolver outras atividades, retornamos em março de 2026. Durante toda essa trajetória, aproximadamente 300 crianças, adolescentes e adultos participaram do projeto.
Na formação de atletas, algumas meninas e alguns meninos do Pró-Vôlei também tiveram a oportunidade de treinar e, em determinados casos, competir vestindo a camisa de projetos de projeção nacional, como a Associação Voleibol Futuro, de Santa Maria, o Pró-Vôlei Ijuí e o Projeto Vôlei Nova Petrópolis.
Valores que permanecem fora da quadra
Mídia RAIZ: Muito mais do que ensinar os fundamentos do vôlei, quais valores você procura transmitir para essas crianças e adolescentes?
César: Procuro transmitir valores como cooperação mútua e respeito. Também quero que o vôlei seja um aliado na construção de condições positivas para a saúde do corpo e da mente. Acredito que o esporte pode influenciar as melhores escolhas em qualquer momento da vida.
Quando uma oportunidade torna o sonho possível
Recentemente, jovens atletas, integrantes do projeto, participaram de um treinamento na AVF, em Santa Maria. A experiência permitiu que elas conhecessem uma estrutura diferente, convivessem com outros atletas e percebessem, de perto, os caminhos que podem ser construídos dentro do voleibol.

Mídia RAIZ: O que momentos como esse representam para quem está começando no esporte?
César: Para quem está iniciando, ter a oportunidade de vivenciar e interagir com projetos maiores é algo indescritível. É quando o sonho de trilhar um caminho por meio do vôlei, tornando-se atleta ou fazendo do esporte parte da sua vida, começa a se tornar cada vez mais presente e possível.
“O vôlei salvou o meu filho”
Projetos sociais são construídos com treinos, bolas, redes e quadras. Mas seus resultados nem sempre aparecem somente em troféus ou placares. Às vezes, a dimensão de um trabalho surge na fala de uma mãe. Em outras ocasiões, aparece na decisão de um aluno de levar adiante aquilo que aprendeu.
Mídia RAIZ: Ao longo desses anos, existe alguma história de um aluno ou de uma família que fez você pensar: “valeu a pena continuar”?
César: Existem várias histórias. Não consigo mencionar apenas algumas porque poderia cometer erros irreparáveis ao esquecer outras. Mas ouvir de uma mãe que o vôlei salvou o seu filho e escutar de um atleta que ele continuaria a minha história, dizendo que eu sempre seria a sua maior referência, são coisas que marcam para sempre.
Um projeto que pretende chegar aos bairros
Para os próximos anos, César deseja continuar oferecendo um acompanhamento atento e individualizado aos participantes. Entre os planos está também a ampliação das atividades durante as férias escolares e o verão, especialmente em quadras de areia e espaços comunitários. Há 11 verões, ele desenvolve ações voltadas ao lazer e ao convívio social por meio do voleibol. Agora, o objetivo é levar essas experiências gratuitamente a diferentes bairros de Júlio de Castilhos.
Mídia RAIZ: O que você sonha para o futuro do projeto? O que ainda falta para que mais crianças tenham acesso ao esporte?
César: Quero continuar transmitindo às meninas e aos meninos participantes tudo o que aprendi, sempre com atenção individualizada. Durante as férias escolares e o verão, pretendo intensificar as atividades nas quadras de areia e levar gratuitamente para alguns bairros momentos de convivência, lazer e contato com o voleibol.
Acho fundamental desenvolver projetos nos bairros durante todo o período de férias escolares. Isso também é uma forma de valorizar os lugares onde as pessoas estão inseridas em seu cotidiano. Quando um espaço recebe atividades esportivas, os próprios moradores passam a valorizá-lo e a cuidar mais dele.
Uma rede que sustenta o projeto
O Projeto Pró-Vôlei/Esporte e Cidadania é desenvolvido por meio de trabalho voluntário e conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Júlio de Castilhos, através da Secretaria de Esporte e Lazer, que disponibiliza o Ginásio Municipal para as atividades. A Associação Voleibol Futuro, de Santa Maria, também é parceira do projeto, oferecendo suporte técnico e oportunidades de treinamento. Entretanto, para que o trabalho cresça e alcance mais crianças e adolescentes, o projeto ainda necessita de apoio financeiro, materiais esportivos e parcerias com empresas da comunidade. Porque uma rede pode dividir uma quadra. Mas também pode unir pessoas, sustentar sonhos e impedir que muitas histórias caiam antes de atravessar para o outro lado.
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