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O segredo do branding pode estar dentro de uma fazenda gaúcha.


Quando falamos em marca, é comum pensarmos em logotipos, cores, slogans e campanhas publicitárias. Mas a origem desse conceito está muito mais próxima da realidade do campo do que muitos imaginam. Aqui no Rio Grande do Sul, a tradição da marcação de gado segue viva até hoje. Em muitas propriedades rurais, a marca aplicada nos animais continua sendo um símbolo de pertencimento, identificação e reputação. Não é apenas um sinal visual. É a representação de uma história, de uma família, de uma propriedade e, muitas vezes, de gerações de trabalho. Quando alguém vê determinada marca em um animal, sabe de onde ele veio. Existe um reconhecimento imediato daquela origem.


E foi justamente durante uma aula do MBA em Marketing, Branding e Growth, ministrada pelo professor Clécio Falcão Araújo, que essa conexão entre o campo e o marketing ficou ainda mais evidente para mim. Ele lembrou da aula do professor Luiz Marinho, onde ele disse que MARCA surgiu na Idade Medieval, onde as pessoas marcavam o boi a ferro e fogo. E as empresas continuam fazendo a mesma coisa que as fazendas fazem há séculos: elas tentam deixar uma marca. A diferença é que hoje essa marca não é gravada a ferro. Ela é construída na mente e no coração das pessoas.


Muito além do logotipo

Um dos maiores equívocos do mercado é acreditar que marca e logotipo são a mesma coisa. O logotipo é apenas um elemento visual. A marca é a percepção que as pessoas têm sobre uma empresa. É aquilo que alguém sente quando ouve o nome de um negócio. É a lembrança que surge quando um cliente recomenda um estabelecimento para um amigo. É a confiança construída ao longo do tempo. É a memória afetiva que permanece mesmo depois de anos. Por isso, branding não é sobre estética. É sobre significado.


Toda empresa deixa uma marca

Mesmo quem nunca investiu em marketing está construindo uma marca. Ela é construída no atendimento, na qualidade do produto, na forma como os colaboradores tratam os clientes, na experiência oferecida e até mesmo nas pequenas atitudes do dia a dia. Toda interação deixa uma impressão. A questão não é se sua empresa está marcando as pessoas. A questão é qual marca está deixando!!!!


O que podemos aprender com o campo?

No agronegócio, reputação é um patrimônio. Uma marca de gado representa anos de trabalho, seleção genética, manejo e credibilidade. No mundo dos negócios acontece algo parecido. Uma empresa não constrói uma marca forte da noite para o dia. Ela constrói através da consistência. Cada atendimento, cada entrega, cada experiência soma ou subtrai valor da percepção que as pessoas têm daquele negócio.

Por isso, branding não é um trabalho de uma campanha. É um trabalho de cultura.


A força das marcas locais

Em cidades do interior como Júlio de Castilhos, isso fica ainda mais evidente. Existem empresas que fazem parte da memória coletiva da comunidade. Lugares onde famílias se encontravam. Comércios que atravessaram gerações. Negócios que se tornaram referência muito antes das redes sociais existirem. Essas empresas talvez nunca tenham utilizado a palavra branding. Mas construíram algo que todo profissional de marketing busca: relevância emocional. E é justamente essa relevância que faz uma marca permanecer.


Uma reflexão para empreendedores

Se a sua empresa fosse uma marca de fazenda, qual seria o sinal que ela estaria deixando nas pessoas? Porque toda empresa marca alguém. Algumas deixam apenas uma lembrança passageira. Outras permanecem na memória por décadas.

Com isso o que eu quero deixar de aprendizado para vocês é de que o verdadeiro desafio do marketing não é aparecer. É ser lembrado pelos motivos certos.

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