Comissão Jovem Castilhense participa do Jovens em Campo e reforça o protagonismo da juventude no agro
- Rosaura Bastos Bellinaso

- 24 de jul.
- 6 min de leitura

Realizado em Cruz Alta, o encontro reuniu mais de 350 participantes de diferentes regiões do Rio Grande do Sul para discutir liderança, sucessão, economia, empreendedorismo, inovação e representatividade. Para Júlio de Castilhos, a participação também evidencia a importância de termos jovens organizados e atuantes no setor.
Quando se fala sobre os jovens ligados ao meio rural, é comum ouvir que eles representam o futuro do agronegócio. A participação da Comissão Jovem Castilhense no Jovens em Campo, entretanto, ajuda a colocar esse discurso no tempo correto: eles já são o presente.
São jovens que participam das propriedades, acompanham decisões, buscam conhecimento, introduzem tecnologias, ajudam a administrar negócios, movimentam entidades e começam a ocupar espaços de liderança e representação. Foi parte dessa juventude castilhense que esteve em Cruz Alta, no dia 22 de julho, participando da 11ª edição do Jovens em Campo.
Realizado no Clube Arranca, o encontro reuniu mais de 350 jovens, vindos de mais de 30 municípios gaúchos. Promovido pela Comissão Jovem da Farsul, com realização do Senar-RS e apoio da Comissão Jovem do Sindicato Rural de Cruz Alta, o evento teve como tema “Raízes Fortes, Futuro em Movimento”.
Durante um dia inteiro, produtores rurais, estudantes, empresários, profissionais do agronegócio e representantes de diferentes comissões jovens acompanharam palestras, painéis e mesas-redondas. A programação abordou liderança, trajetória profissional no agro, capacitação, cenário macroeconômico, sucessão familiar, empreendedorismo, inovação, tecnologia, desenvolvimento sustentável e o papel das
entidades representativas na formação de novas lideranças.
Mais do que um evento, um movimento
A Diretora do Sindicato Rural de Cruz Alta, professora e zootecnista Daniele Araldi, uma das pessoas envolvidas na organização local, explica que o Jovens em Campo é realizado anualmente e chegou, em 2026, à sua 11ª edição.
O encontro possui formatos diferentes. Um ocorre em Gramado, com uma programação de dois a três dias, proporcionando uma experiência de imersão aos participantes. No ano seguinte, assume um formato itinerante, aproximando a iniciativa de municípios que possuem comissões jovens atuantes.
A candidatura de Cruz Alta para receber a edição de 2026 foi apresentada durante o encontro realizado no ano anterior, em Gramado. A escolha, segundo Daniele, também reconhece a força da Comissão Jovem do Sindicato Rural de Cruz Alta, considerada uma das maiores e mais ativas do Estado, tanto pelo número de integrantes quanto pelas ações e eventos desenvolvidos.
Mais do que reunir pessoas em torno de um palco, a proposta é provocar reflexões sobre o momento vivido pelo agronegócio e ampliar a visão dos participantes. “O Jovens em Campo é muito mais do que um evento. É um movimento onde queremos provocar reflexões sobre o agro como um todo, sobre a situação que vivemos e sobre este momento de transformações”, afirma Daniele.
Essas reflexões passam pela vida pessoal e profissional dos jovens, pelos negócios rurais, pela gestão das propriedades e pelo funcionamento das instituições que representam o setor. “A ideia é ampliar a visão de mundo, de negócio, de liderança, de instituição e de propriedade desses jovens”, acrescenta.
Conhecimento como insumo
Em relato encaminhado à Mídia Raiz pela Hérica Cocco, os integrantes da Comissão Jovem Castilhense definiram a participação como uma experiência de integração, aprendizado e troca com jovens de diferentes regiões. As palestras também reforçaram a necessidade de desafiar certezas, buscar capacitação e compreender melhor o papel das lideranças e das entidades que defendem os interesses do produtor rural. Uma das frases destacadas pelo grupo foi do superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli:
“Diante de um mundo em constante expansão, o conhecimento é nosso melhor insumo.”
Em uma atividade marcada por mudanças no mercado, no clima, na tecnologia e no comportamento dos consumidores, produzir exige cada vez mais do que conhecimento técnico dentro da porteira.
O jovem que chega ao agronegócio precisa entender gestão, custos, comunicação, economia, inovação, políticas públicas, sustentabilidade e representação institucional. Precisa enxergar a propriedade não apenas como local de produção, mas como um negócio inserido em uma cadeia ampla, complexa e conectada ao mundo.
A programação do Jovens em Campo refletiu essa diversidade. Além das discussões sobre formação de lideranças, o encontro apresentou análises do cenário econômico, experiências de sucessão e empreendedorismo, iniciativas de desenvolvimento sustentável e informações sobre o programa CNA Jovem. O evento também marcou a troca da diretoria da Comissão Jovem da Farsul.
Sucessão dentro e fora das propriedades
Um dos principais temas debatidos foi a sucessão familiar. A discussão, porém, não se limitou à transferência da administração de uma propriedade entre pais e filhos.
Sucessão também significa preparar pessoas para assumir responsabilidades dentro dos sindicatos rurais, das federações, das cooperativas, das empresas e das demais organizações ligadas ao setor.
Daniele destaca que o encontro buscou discutir o protagonismo de uma geração que já está presente em toda a cadeia produtiva. “Essa gurizada vem trocar experiências e falar de protagonismo. São jovens que já estão dentro das propriedades, das instituições de classe, dos sindicatos e de toda a cadeia produtiva do agronegócio”, afirma.
Durante a programação, a mesa-redonda sobre sucessão e empreendedorismo reuniu Leonardo e Luiza Soldera, da Cabanha Soldera, de Panambi, e Laura Rossato, da Sementes Rossato, de Cruz Alta. Os participantes compartilharam experiências de continuidade, renovação e construção de espaço para as novas gerações dentro dos negócios familiares. Uma das mensagens levadas para casa pelos representantes castilhenses nasceu justamente dessa discussão:
“Voltar para casa não é voltar para trás.”Leonardo Soldera e Luiza Soldera
Voltar pode significar levar novos conhecimentos para a propriedade, modernizar processos, desenvolver produtos, profissionalizar a gestão, melhorar a comunicação ou encontrar no próprio município uma possibilidade de carreira e realização. Para que isso aconteça, entretanto, não basta esperar que o jovem assuma responsabilidades. É preciso permitir que ele participe, apresente ideias, erre, aprenda e seja ouvido.
Liderança e representatividade
O evento também chamou atenção para a necessidade de formar bons representantes para o agronegócio. A Comissão Jovem da Farsul aproxima os participantes da estrutura sindical e permite que compreendam como funcionam os sindicatos rurais, a Federação e as demais entidades do setor. Essa formação ajuda a preparar pessoas capazes de acompanhar discussões públicas, defender demandas e estabelecer pontes entre os produtores, as instituições e a sociedade.
O presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, reforçou durante o encontro que os jovens já são uma realidade dentro do setor. Segundo ele, são essas novas gerações que introduzem conectividade, inovação tecnológica e novas formas de olhar para as demandas do campo, sem abandonar a história e os valores construídos anteriormente.
Entre as falas destacadas pela Comissão Jovem Castilhense está uma afirmação que dimensiona a responsabilidade do setor:
“O mundo não será dependente do Brasil apenas no futuro. Ele já é dependente do Brasil no presente.” Domingos Velho Lopes
Essa importância econômica e produtiva também traz a necessidade de melhorar a comunicação com quem vive nas cidades, explicar como os alimentos são produzidos e mostrar quem são as pessoas que trabalham em cada etapa dessa cadeia.
Outra mensagem registrada pelos jovens castilhenses foi:
“Crianças que aprendem de onde vem o alimento crescem valorizando quem o produz.” Gabriela Gatto
Formar novas lideranças no agro, portanto, também envolve preparar pessoas capazes de dialogar com a sociedade, comunicar a realidade das propriedades e aproximar o campo da cidade.
A importância de uma Comissão Jovem em Júlio de Castilhos
Em um município cuja história, economia e identidade estão profundamente ligadas ao campo, a existência de uma Comissão Jovem Castilhense possui um significado que ultrapassa a realização de reuniões ou a participação em eventos. A comissão cria um espaço para formação, convivência, troca de experiências e desenvolvimento de lideranças locais. Aproxima jovens produtores, filhos de produtores, estudantes, profissionais e pessoas interessadas nas diferentes atividades que compõem o agronegócio.

Ao participar de encontros estaduais, esses jovens levam o nome de Júlio de Castilhos, conhecem realidades de outros municípios e retornam com referências, contatos e conhecimentos que podem ser compartilhados localmente. Essa movimentação também fortalece a sucessão dentro das propriedades e das entidades. Afinal, ninguém começa a participar de uma diretoria ou a representar uma categoria de um dia para o outro. Lideranças são formadas a partir do acesso à informação, da convivência, da escuta e da oportunidade de assumir pequenas e grandes responsabilidades.
Ter jovens castilhenses interessados em compreender o cenário econômico, discutir inovação, conhecer o funcionamento das entidades e pensar os desafios da produção é uma notícia importante para toda a comunidade.
O presente do agro já começou
Para Daniele Araldi, o Jovens em Campo funciona como uma grande rede de troca, na qual diferentes gerações compartilham conhecimento e estimulam o desenvolvimento de quem está iniciando sua trajetória. Entre os principais focos do encontro estiveram liderança, sucessão familiar, sucessão nas entidades de classe, empreendedorismo, tecnologia e inovação. Mas a principal mensagem talvez esteja na forma como esses jovens devem ser enxergados.
“Como o presidente Domingos fala, os nossos jovens não são o futuro. Eles são o presente. Precisamos dar suporte e abraçá-los para que as coisas aconteçam da melhor forma possível”, conclui Daniele.
A participação da Comissão Jovem Castilhense em Cruz Alta não representou somente uma viagem para acompanhar palestras. Representou a presença de Júlio de Castilhos em uma discussão estadual sobre os rumos do agronegócio. Os jovens voltaram para casa levando informações, provocações, contatos e experiências. Mas também deixaram uma mensagem: o agro não precisa esperar por uma nova geração.
Ela já chegou, já está trabalhando e quer participar das decisões.



Parabéns Eduardo 👏👏👏